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Economia//5 min

O juro não mora em Brasília. Mora no carnê

Selic é manchete. O que muda a vida é o crédito do pequeno, o consignado e o preço que a taxa espalha sem pedir licença.

18 de setembro de 2026 · Brasília · Pax Brasílis

Economista de televisão fala em ponto percentual. Dono de mercadinho fala em prazo. Os dois olham para a mesma taxa, de pontas opostas.

Quando o Banco Central segura o juro alto, o discurso oficial é domínio da inflação. Correto no quadro. Incompleto na rua. Capital de giro fica caro, parcela estica, construtora adia lançamento, prefeitura empurra obra. A inflação que “está cedendo” no índice ainda está sentada no óleo e no aluguel.

Não existe mágica de campanha que derrube taxa sem arrumar gasto e credibilidade. Também não existe seriedade em tratar juro alto como paisagem eterna, como se o custo não tivesse dono. Tem dono: quem toma crédito porque o caixa não fecha no dia 20.

Política econômica sem orçamento é slogan. Orçamento sem dizer quem perde benefício é covardia.

O debate útil não é torcer contra o Banco Central nem aplaudir cada corte de 0,25 ponto. É perguntar o que o Congresso faz com a despesa obrigatória enquanto cobra “juros menores” no mesmo discurso em que cria despesa nova.

Política econômica sem orçamento é slogan. Orçamento sem dizer quem perde benefício é covardia. O leitor percebe os dois, mesmo quando o comício finge que não.

Nesta editoria, número de Selic só entra acompanhado da pergunta seguinte: quem paga a parcela.

Opinião. Filiação ao Progressistas declarada. Não é nota oficial de legenda nem reprodução de assessoria.

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