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Bastidores//5 min

O fim das bets dura até o próximo balcão

Proibir de uma vez parece firmeza. Medida súbita, sem transição, vira moeda de troca — e quem lê plenário já viu esse filme.

27 de setembro de 2026 · Brasília · Pax Brasílis

O anúncio de acabar com as bets chega com cara de decisão moral. O problema não é a moral. É o calendário.

Quem acompanha Brasília sabe a diferença entre um gesto e uma regra que sobrevive à próxima troca de ministro. Casa de apostas não se desmonta com nota. Tem licença, publicidade, camisa de clube, aplicativo no celular e, principalmente, gente interessada em reabrir a porta assim que o barulho baixar.

Ronaldo Caiado tratou a decisão do governo como oportunista e defendeu restrição gradual. Dá para discordar do governador de Goiás em quase tudo e ainda assim reconhecer o ponto: corte abrupto sem transição é convite ao jeitinho institucional. O que não cabe na lei volta por medida provisória, por regulamentação frouxa ou por exceção “temporária” que ninguém revoga.

Firmeza de verdade se mede no texto que sai do Congresso, não no título que sai no domingo.

Três meses é prazo folgado para quem vive de balcão. Nesse intervalo cabem emenda, lobby de federação, argumento de emprego e a frase clássica de que o mercado já está aí — então é melhor cobrar do que empurrar para o ilegal. Regular, no vocabulário de Brasília, quase sempre significa autorizar e faturar.

Não defendo aposta disfarçada de entretenimento. Digo que anúncio não é política pública. Se a restrição não tiver sanção clara, fiscalização com nome e sobrenome e uma data que não dependa de humor eleitoral, o fim das bets será só mais uma manchete com prazo de validade.

O teste é simples. Daqui a um trimestre, a pergunta não será “o governo foi contra as bets?”. Será “quem voltou a operar, com qual licença, e quem assinou”.

Opinião. Filiação ao Progressistas declarada. Não é nota oficial de legenda nem reprodução de assessoria.

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